Como preguiçosa assumida que sou, tenho tendência a não mexer um dedo a menos que seja imprescindível.

Isto geralmente me leva a duas situações: 

  1. Agrupar todas as obrigações cotidianas.
  2. Manter-me distante sempre que o que iria falar é, em segunda análise, algo completamente dispensável para a minha felicidade ou para o bem das pessoas em geral.

     

Preguiça

Preguiça

 

Denomino esta preguiça como “ecologia interna”.

Acredito que me poupe energia e tempo.

E em tempos de crise o tópico em pauta é poupar.

Isto ao longo dos anos deveria me tornar mais calada?

Ainda utilizo a verte que permite sempre dizer as coisas de uma maneira clara e prática.

Será por isso que dou grandes cabeçadas na minha relação com os outros?

Admito que me exaspero facilmente quando tenho que “descascar” um diálogo.

Caio sempre no erro de achar que todos serão diretos como eu.

Assim acabo mergulhando em grandes baldes de água fria.

Mas não desisto em crer que as pessoas são catrefadas de virtudes.

 

 

O objetivo é evoluir e aprender com a verdade, ao invés de ceder às conveniências

Apesar dos erros só me resta razões para me sentir grata.

Grata até pela preguiça.

Pois sentir frustração ou revolta não vai mudar nada.

Sexta-Feira

Sexta-Feira

Hoje em São Paulo está um dia bonito e ensolarado para escrever uma crítica.

Os pássaros não cantam, porém a manhã está agradável para exercer um trabalho remunerado ou tomar um vinho do porto, se tivesse uma garrafa aqui no trabalho.

No entanto me distraio pensando em casamentos.

Descobri que não gosto deles, mas acho bonito o juramento.

Não gosto pois abomino suas mentiras, mesmo quando finjo acreditar nelas.

A arte de fazer felizes as pessoas nem sempre é fácil, mas enfim, tudo é opcional.

Sou vista agora como quem abre mão.

Mas o que se perde com tudo isso?

A única coisa verdadeira neste mundo é a falsidade humana.

Devido á crise financeira nos EUA, os conflitos na faixa de GAZA e os desastres climáticos em todo o globo, todos afirmam que esse ano será difícel para todo mundo.

Prenúncio?

Prenúncio?

Quer dizer, para quase todo mundo.

Espero não ser da leva dos projetos abortados e iniciativas postas a pique.

Abomino qualquer meio de censura, principalmente em nossa fatídica comunicação.

No entanto amigos jornalistas alegam que este será o ano das revistas fechadas e dos livros que não serão editados.

É, assim vamos caminhando.

Tudo isso seria suportável, dentro dos parâmetros da economia de mercado, se não fosse o grandioso império da canalhice.

Com tudo isso a minha volta, ás vezes desejo poder dormir e só acordar daqui alguns séculos.

Das duas ou uma.

Tudo estará civilizado e educado.

Ou então restarão somente baratas, porém de um modo que me chatearão menos.

Sentimentos

Sentimentos

“Onde estiver a caridade e o amor, Deus também estará.”

Uma vez uma pessoa me disse esta frase.

Ela é uma católica convicta da sua prática.

Já eu, não!

Porém, nem por isso alguma vez deixamos de falar a mesma linguagem, que é a do coração.

Quanto ao coração, como pode um órgão tão minúsculo representar tanto em nossa vida?

Existem pessoas muito especiais que com os problemas, as diferenças e o tempo desaprendem a ver a magia que habita em tudo que as rodeiam.

Mesmo assim, espero que cada obstáculo para essas pessoas, seja apenas um instrumento para sua evolução.

E que as mesmas possam ver nos meus erros, um Deus que ama o suficiente para nos deixar cometer erros.

Espero ansiosamente que eu possa semear flores ao longo de nossa vida.

São necessárias quantas mortes durante nossa vida?

Quantos ensaios para perdermos o que nos é necessário?

Precisamos viver quantos lutos para olharmos para o inexplicável?

Quanta produção para dar conta do inexorável que nos assola no cotidiano?

Desses devaneios, lembro-me de uma invertida bem humorada e espirituosa de um amigo, um dia desses:

Dúvidas

Dúvidas

Eu surtava sobre o dramático momento que passava: minha confusão de sentimentos, os hormônios em conflito, a TPM, o excesso de trabalho; a discussão com alguém que amo.

Enfim…

Ele, do alto de seu 1 m e 60 cm, delicadamente me fez gargalhar dizendo:

“Ana desmaia que logo passa!”

Bastou.

Daí, desataram-se todos meus nós tensos e aflitivos.

Num alto e desenfreado riso só consegui responder:

” É mesmo um mistério a nossa vida. Só desmaiando?”

Depois desse episodio gracioso, eu parei e refleti:

Meu inconsciente é só isso?

Esse avesso ao meu corpo que só percebo nas frestas de meus sonhos e lapsos?

Ainda prefiro crer que existe um universo inteiro dentro de meu corpo.

Pode não ser nada belo, fantástico e colorido.

Mas se existir duvida, é necessário contemplar um quadro de Joan MIRÓ, ouvir uma melodia de Giuseppe Verdi ou ler um poema de Florbela Espanca.

Todos esses são criaturas do belo.

E o nosso inconsciente, onde moram as emoções, aquilo a que nos referimos pelo nome de alma, nos permite essa uma viagem como uma grande aventura pelos cenários da vida.

Mais uma vez eu me questiono e interrogo.

Algumas coisas nunca mudam:
- Nasce um otário a cada segundo;
- Desconheço alguém que tenha perdido dinheiro subestimando a inteligência alheia;
- Compartilho de três certezas na vida:

1. A de que vamos morrer e a de que alguém vai nos sacanear;

2. Pior que cabeças de melão só mesmo as cobras criadas que não sobem escadas rolantes;

3. Não existe almoço grátis.

Portanto a rotina, em si, não é ruim.

Pernicioso é a rotina que se torna a única alternativa em nossas vidas.

Abomino quando a nociva expõe na vida sua face descarnada.

Sinto a agonia que nos remete para o fundo de um poço seco.

Rotina

Rotina

Através dela alguns pesadelos se confirmam.

Outros adiam – para maior agonia – sua chegada.

Portanto questiono: é possível e plausível vivê-la em nosso país escuso?

Enquanto não descubro, permito-me ver as palavras roerem minha carne, lentamente, sem descanso.

Maturidade

Maturidade

Nossa busca de encontro com o acaso e o inexplorado se dá mesmo em nossa penumbra.

Nem sempre isso acontece através de um registro daquilo que os olhos são capazes de ver.

Isso, nos descrevem como maturidade.

Mas tenho visto que a maturidade não traz sabedoria alguma.

E o acaso não nos proporciona epifanias ou uma vida melhor.

Ao contrário, vejo sempre mais preocupações.

Percebo mais como ingratos presentes que a vida faz questão de nos enviar.

Talvez para que tenhamos a ilusão de que, quando velhos, prestamos para algo que não seja azucrinar os mais novos.

O que a maturidade traz, sem dúvida, é uma saúde mais delicada.

E a constatação de que nosso corpo já não agüenta os arrochos que viver nos proporciona.

Que desgraça.

Seria a maturidade só desalento e nenhum encanto?

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